10ª mostra CineBH começa nesta quinta com performance e pré-estreia do filme Elon não Acredita na Morte

Abertura será no dia 20, às 20h, no Teatro Sesiminas, com entrada franca. O público poderá retirar ingresso na bilheteria do teatro a partir das 19 horas e participar do evento que vai envolver a plateia numa mistura de sons e imagens

De 20 a 27 de outubro, Belo Horizonte será capital do cinema. Mostra exibe 69 filmes, promove debates e oficinas e discute a coprodução internacional no 7º Brasil CineMundi, com a presença de 22 convidados internacionais 

Começa nesta quinta, dia 20 de outubro, às 20 horas, no Teatro Sesiminas (Rua Padre Marinho, 60 – bairro Santa Efigênia), a 10ª edição da CineBH – Mostra Internacional de Cinema de Belo Horizonte. Em sua primeira década, o evento está consolidado como espaço de exibição de pré-estreias nacionais e internacionais, debates, palestras e plataforma de intercâmbio e rede de contatos entre produtores e representantes da indústria audiovisual mundial.

 O filme escolhido para abrir a programação dos 10 anos da Mostra CineBH é Elon não Acredita na Morte. Recém-premiado com o troféu de melhor ator (para Rômulo Braga) no Festival de Brasília, em setembro, o primeiro longa-metragem do diretor mineiro Ricardo Alves Jr tem pré-estreia em Minas Gerais, seu estado de produção. O filme acompanha o périplo de Elon Rabin, homem com distúrbios mentais, em busca da esposa desaparecida. Filmado em Belo Horizonte, com Clara Choveaux, Grace Passô e Lourenço Mutarelli ainda no elenco e roteiro de Diego Hoefel e do português João Salaviza, o projeto passou por diversos laboratórios de desenvolvimento de roteiro e produção no Brasil e no exterior.

Antes da sessão de Elon não Acredita na Morte, o público poderá acompanhar uma performance audiovisual com direção geral de Chico de Paula e preparada especialmente para a abertura no Teatro Sesiminas. Com elementos que remetem à temática da mostra e às questões sociais que a mostra quer chamar atenção, o espetáculo tem participação  de Alexandre de Sena (ator e apresentador), Grazi Medrado (atriz, apresentadora e concepção artística), Gustavo Caetano Matos (um dos fundadores do Samba Queixinho e concepção artística e ), Mc Kainná Tawá e Mc Tamara Franklin (performance musical), G.A. Barulhista (trilha ao vivo), Toda Deseo (performance teatral), Rolezinho (performance inspirada em Ruth de Souza, Zózimo Bulbul e a presença negra no cinema) e Samba do Queixinho (performance musical).

“Juntamente com Grazi Medrado, Gustavo Caetano e Paula Kimo, pensamos a abertura como o início de uma conversa com a cidade, para escutar o que ela propõe. Convidamos pessoas que tem uma abordagem audiovisual de seu trabalho artístico”, adianta Chico de Paula, que promete surpreender o público. “As ações foram desenhadas de modo a criar reflexão e estranhamento, a evidenciar uma cidade valente, valorosa, que se faz ouvir, além das lutas, pela fraternidade e afeto que se rebelam contra um destino aristocrático imposto pela arquitetura e política. Tudo pensado como se fosse parte de uma ação cotidiana”.

 A abertura, de viés mais participativo por parte dos presentes, reflete diretamente uma das novidades deste ano da CineBH: a mostra A Cidade em Movimento. Organizada por grupos e coletivos de Belo Horizonte, ela chega com o propósito de colocar o audiovisual em diálogo direto com as questões sociais e urbanas da capital. Serão exibidos filmes que buscam tornar visíveis as práticas políticas e lutas contemporâneas de BH, em sessões relacionadas aos temas das Rodas de Conversa. As Rodas, a serem realizadas dentro da programação da mostra, propõem reflexões sobre recentes movimentos – suas causas, consequências, práticas e aprendizados, com foco naqueles que acontecem na cidade, como as ocupações Dandara e Izidora, o movimento Tarifa Zero, o movimento hip hop, a Assembleia Popular Horizontal, a Praia da Estação, o movimento A Cidade que Queremos e tantos outros. A intenção é apontar, planejar e propor caminhos para o futuro, do ponto de vista das pessoas que estão no centro dessas iniciativas.

 TEMÁTICA E FILMES

Ao longo de oito dias de programação intensa e gratuita, de 20 a 27 de outubro, a 10a Mostra CineBH  exibe  69 filmes (37 longas, 3 médias e 29 curtas) em 55 sessões, filmes de 12 países (Portugal, França, EUA, Moçambique, Dinamarca, Argentina, México, Espanha, Paraguai, Bolívia, Reino Unido e Japão. Do Brasil, serão exibidas produções em pré-estreias de 9 estados (Minas Gerais, Pernambuco, São Paulo, Rio de Janeiro, Amazonas, Bahia, Rio Grande do Sul, Paraíba e Ceará). O evento acontece em seis espaços da cidade: Cine Humberto Mauro, Cine 104, MIS Cine Santa Tereza, Sesc Palladium e Teatro Sesiminas e Sesi Museu de Artes e Ofícios.


A temática deste ano será “O plano contra a imagem: cinema da resistência”, inspirada pela ideia de que o cinema, criado no final do século XIX e considerado a grande arte do século XX, chega aos anos 2000 saturado de exigências do mercado. A curadoria, a cargo dos críticos Francis Vogner e Pedro Butcher, propõe debater especialmente o caso do cinema realizado em Portugal, referência de produções inventivas, de baixo orçamento e muita repercussão internacional. A retrospectiva com 8 filmes de João César Monteiro (1939-2003), um dos expoentes do melhor que o cinema português contemporâneo realizou, vem ao encontro do eixo central da mostra.

FILMES

Na Mostra Contemporânea, que exibe somente pré-estreias em Minas, estão incluídos novos trabalhos de Rita Azevedo Gomes (Correspondências) e Salomé Lamas (Eldorado XXI) e os curtas de duas novas realizadoras de Portugal, Luísa Sequeira (Os cravos e a rocha) e Joana Pimenta (Um campo de aviação). Do cinema latino-americano, alguns destaques deste ano são Beduíno, de Julio Bressane, Redemoinho, de José Luiz Villamarim, e Rifle, de Davi Pretto, todos do Brasil; Hermia e Helena, do argentino Matias Piñeyro; La Última Tierra, do paraguaio Pablo Lamar; e Viejo Calavera, do boliviano Kiro Russo. Novos títulos de cineastas cultuados também estão na seleção, como A Canção do Pôr do Sol, do inglês Terence Davies, e Certas Mulheres, da norte-americana Kelly Reichardt. Entre os curtas e média selecionados, o espectador terá um apanhado das infinitas possibilidades do formato, com títulos ainda de pouco trânsito nos festivais, fazendo da mostra um espaço de descoberta.

 Realizada pelo terceiro ano, a seção Diálogos Históricos tem como convidado o crítico italiano Adriano Aprá, fundador da revista Cinema e Film e autor de diversos livros. Ele estará em Belo Horizonte para três sessões comentadas no Cine Humberto Mauro: Gertrud (Carl Dreyer, Dinamarca, 1964); Crisântemos Tardios (Kenji Mizoguchi, Japão, 1939); e O Eclipse (Michelangelo Antonioni, Itália, 1962).

 A CIDADE EM MOVIMENTO

A mostra Cidade em Movimento, composta por 12 filmes (2 longas, 2 médias e 8 curtas) realizados em Belo Horizonte e três rodas de conversa que questionam arbitrariedades e situações-limite vividas pela sociedade na luta por espaço e ocupação na paisagem urbana, traz o frescor da urgência à programação. Os filmes escolhidos foram produzidos na emergência de cada movimento da cidade em que estavam inseridos e são, além de documentos, manifestos., compondo uma primeira visão, no calor da hora, e realizados por quem vê de dentro, participa e é cúmplice de suas ações. Alguns dos títulos são Na Missão com Kadu, de Aiano Bemfica, Kadu Freitas e Pedro Maia de Brito; O Som que Vem das Ruas, de Daniel Veloso e Eduardo Zunza; Sobre Carnavais e Revoluções, de Fred França; e Memórias de Izidora, de Vilma da Silveira, João Victor Silveira de Paula, Kadu de Freitas, Edinho Vieira e Douglas Resende.

 BRASIL CINEMUNDI

Em paralelo à programação de filmes, acontece dentro da CineBH, entre os dias 21 e 24, o Brasil CineMundi – 7th International Coproduction Meeting, o evento de mercado que faz conexão entre profissionais brasileiros e internacionais, consolidando essas relações de forma consistente e gradativa, ampliando a rede de contatos e atraindo novos investidores, produtores e cineastas. Em 2016, estão confirmados 21 convidados internacionais vindos de 12 países (Alemanha, Argentina, Canadá, Chile, Colômbia, Cuba, França, Itália, México, Portugal, Suíça, Uruguai).

 Os convidados acompanharão as análises dos 19 projetos selecionados para produção de longas-metragens brasileiros, divididos em quatro seções: CineMundi (10 projetos), DocBrasil Meeting (5), Foco Minas (3) e Cinélatino (1). Oito Estados foram contemplados na lista final: São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Rio Grande do Sul, Ceará, Bahia e Pernambuco. Como parte das atividades de formação e profissionalização de novos realizadores, a mostra promove o Seminário Brasil CineMundi,  com debates, diálogos, estudos de caso, masterclasses e workshops.