Abertura da CineBH reforça diálogo com a cidade e comemora uma década de história

Evento teve início nesta quinta, 20 de outubro, com sessão lotada no Teatro Sesiminas; filme escolhido para estreia foi o longa “Elon não acredita na morte”, do mineiro Ricardo Alves Jr.

Teve início, nesta quinta-feira, 20 de outubro, a 10ª CineBH – Mostra Internacional Cinema de Belo Horizonte. A abertura, realizada no Teatro Sesiminas, contou com intensa participação do público, que teve a oportunidade de conferir uma performance artística que traduziu uma das novidades desta edição: a Mostra A Cidade em Movimento. Organizada por grupos e coletivos de Belo Horizonte, ela tem como objetivo colocar o audiovisual em diálogo direto com as questões sociais e urbanas da capital. Refletindo este intuito, estiveram presentes na cerimônia o ator e apresentador Alexandre de Sena, a atriz Grazi Medrado, as MCs Kainná Tawá e Tamara Franklin, o músico Barulhista e os coletivos Toda Deseo, Rolezinho e Samba do Queixinho, que se apresentaram para um teatro lotado.

 A Mostra segue até 27 de outubro, em seis espaços da capital - Cine Humberto Mauro, Cine 104, MIS Cine Santa Tereza, Museu de Artes e Ofícios, Sesc Palladium e Teatro Sesiminas –, com o tema geral “O Plano contra a imagem: cinema da resistência”. Para a diretora da Universo Produção e coordenadora geral da CineBH, Raquel Hallak, a temática busca traduzir uma das maiores preocupações do evento: discutir a produção audiovisual contemporânea e promover o cinema como objeto de transformação .“A CineBH, que completa agora uma década de existência, tem muitos motivos para comemorar: retornamos a Santa Tereza, reduto cultural de Belo Horizonte, e passamos a ocupar um número ainda mais de espaços, mostrando a identificação do evento com Belo Horizonte”.

 Ela destaca, ainda, outro importante intuito da Mostra: conectar profissionais brasileiros e estrangeiros e posicionar-se como instrumento facilitador no diálogo com o mercado internacional, por meio de parcerias produtivas e intercâmbio de ações e informações e encontros de negócios. Para isso, estarão presentes 21 convidados internacionais, representantes da indústria audiovisual mundial de 12 países, que se reunirão com diretores e produtores brasileiros para apresentação de projetos e roteiros.

 FILME DE ABERTURA

“Elon não acredita na morte”, dirigido pelo mineiro Ricardo Alves Jr., foi o filme escolhido para abrir a mostra. O longa participou do Brasil CineMundi em 2013 e foi recentemente premiado no Festival de Brasília com o troféu de melhor ator para Rômulo Braga, que esteve presente na cerimônia de abertura ao lado de toda a equipe de produção. A exibição foi comemorada pelo produtor Thiago Macedo, que agradeceu a oportunidade e a dedicação de todos. O filme acompanha o périplo de Elon Rabin, homem com distúrbios mentais, em busca da esposa desaparecida. Filmado em Belo Horizonte, com Clara Choveaux, Grace Passô e Lourenço Mutarelli no elenco e roteiro de Diego Hoefel e do português João Salaviza, o projeto passou por diversos laboratórios de desenvolvimento de roteiro e produção no Brasil e no exterior.

 PROGRAMAÇÃO INTENSA

A Mostra CineBH segue até o dia 27 com uma programação intensa e gratuita. Ao longo de todo o evento, serão exibidos 69 filmes em 55 sessões, além de debates, seminários, oficinas, rodadas de negócios e outras atividades. O evento promoverá ainda uma retrospectiva em homenagem a João César Monteiro (1939-2003), um dos grandes nomes do cinema em Portugal. Dele serão apresentados oito longas-metragens, como “Branca de Neve” (2000) e “Recordações da Casa Amarela” (1989). Merece destaque, ainda, a participação do crítico italiano Adriano Aprà, na seção Diálogos Históricos, com a apresentação de três masterclasses.

 O debate “O estranho caso do cinema português” abriu as atividades da CineBH nesta sexta-feira, 21 de outubro. O encontro contou com a presença do curador Francis Vogner dos Reis, curador da CineBH, das cineastas portuguesas Joana Pimenta e Luísa Sequeira,d o produtor da Terratreme Filmes, João Matos, e do crítico de cinema Sérgio Alpendre.

 A programação do dia contempla ainda a mostra Curtas no Almoço, com “Sob Águas Claras e Inocentes”, “Solombra”, “Alforria” e “Não me prometa nada”; a mostra Diálogos Históricos, com a exibição do longa “Gertrud”, seguida da masterclass de Adriano Aprà; a mostra Retrospectiva, com “Recordações da casa amarela”, e a mostra Contemporânea, com “Hermia e Helena”, “Comboio de Sal e Açúcar” e as pré-estreias nacionais “Los Leones” e “Redemoinho”. Serão realizados os debates “O cinema documentário no mercado internacional” e “Experiências em coprodução internacional na América Latina”.