Áurea Carolina, vereadora eleita mais votada de BH, participa de roda de conversa nesta quarta-feira

Na segunda Roda de Conversa promovida pela CineBH deste ano, a ser realizada nesta quarta-feira, o tema será “Intensidade e diversidade (quem movimenta a cidade?)”. Parte da programação da mostra A Cidade em Movimento, a atividade acontece às 16h, no Cine 104. Participam importantes lideranças e representantes de movimentos sociais, políticos e culturais de Belo Horizonte para debaterem a reação popular às decisões das instâncias de governo e como os movimentos devem se articular e crescer para ganharem cada vez mais espaço.

A cientista política Áurea Carolina é uma das presenças mais aguardadas, tendo sido a vereadora eleita mais votada nas últimas eleições da capital mineira. Ao lado dela, estarão Bia Nogueira (atriz e cantora, fundadora do ImuNe – Instante da Música Negra), Dú Pente (do coletivo Pretas em Movimento), Marcos Cardoso (filósofo e historiador de culturas negras), Pedro Valentim (jornalista e MC, integra o coletivo Família de Rua) e Luiz Valente (produtor e DJ, do coletivo Vinil é Arte).

Logo em seguida à Roda de Conversa, às 18h, tem exibição de quatro curtas-metragens também nos recortes da Cidade em Movimento, com o tema Sincronicidade. Os filmes são: Prazer, Ed – O Casamento, de Daniel Carneiro; Mostra Diversas, de Fabiana Leite; Sobre Carnavais e Revoluções, de Fred França; e Avenida Junho de 2013, de Douglas Resende e João Grilo.

O primeiro dia das Rodas de Conversa na CineBH, na segunda-feira, teve como convidados Joanna Ladeira, da ONG Impacto, e Leo Piló, ligado aos movimentos de catadores de papel e reciclagem. Os dois conduziram a troca de ideias a partir do tema Densidade (desenho e preenchimento da cidade, compartilhando experiências e propostas de políticas públicas de ocupação. Joanna chamou atenção para a densidade percebida no centro de Belo Horizonte e de como o poder público tende a se incomodar quanto alguma movimentação maior chama atenção.

“Aqui num prédio do centro existia o Projeto Miguilim, em que crianças de rua eram levadas para serem cuidadas e podiam ser vistas e bem tratadas. Em 2012 o projeto foi retirado desse prédio, e as crianças transferidas para locais mais distantes e isolados”, disse. Ela também relembrou a controvérsia em torno do Duelo de MCs, tradicionalmente realizado embaixo do Viaduto Santa Tereza, e apresentou uma pesquisa mostrando como era composta a participação no evento. “Era radicalmente uma presença da periferia no centro da cidade. Quando ficou grande, passou a chamar atenção do poder público, que logo iniciou uma política de repressão por parte das autoridades e de uma obra que está parada até hoje”.

Por sua vez, Leo Piló relatou as dificuldades do dia a dia dos catadores e algumas experiências importantes de união da classe. Ele reforçou a importância de uma parceria harmônica entre quem produz o lixo e quem o recolhe. “Cabe ao cidadão comum cuidar da sua casa, do seu resíduo e do seu amigo catador”, exaltou.

Presente ao encontro, Lina Mendes, do Movimento Tarifa Zero, falou sobre as limitações de transporte público na cidade e do viés fortemente capitalista das empresas de ônibus. “Elas visam ao lucro, por isso têm muitos veículos nos horários de pico e quase nenhum à noite ou em finais de semana, especialmente nos bairros mais afastados do centro. Como se quer uma população que viva a cidade para si se não é oferecido a ela qualidade de transporte?”, questionou. 

  FILMES

As pré-estreias nacionais desta quarta-feira na CineBH começam às 19h, no Cine Humberto Mauro, com a produção boliviana Viejo Calavera, de Kiro Russo. O filme mistura ficção e documentário na história de Elder, jovem que perde o pai e vai trabalhar numa cidade mineradora. Em seguida, às 21h, outro filme que tem a mineração como ponto de partida: Eldorado XXI, dirigido pela portuguesa Salomé Lamas, acompanha com rigor o cotidiano de trabalhadores no mais alto povoado do mundo (Rinconada, no Peru, a 5.500m de altitude).

No MIS Cine Santa Tereza, às 19h30, o drama Certas Mulheres, de Kelly Reichardt, tem sua segunda exibição na mostra. No mesmo horário, no Cine 104, tem A Rua da Amargura, novo trabalho do cultuado espanhol Arturo Ripstein que acompanha duas prostitutas veteranas às voltas com uma difícil realidade.