CineBH recebe a primeira roda de conversa da Mostra A Cidade em Movimento

 Nesta terça-feira, dia 25, a 10ª CineBH – Mostra Internacional de Cinema de Belo Horizonte continua com vasta programação de filmes. Entre os destaques, está a Roda de Conversa da mostra A Cidade em Movimento, às 16h, no Cine 104 que realiza o debate com o tema Densidade (desenho e preenchimento da cidade), que irá discutir quais as políticas e ações estão sendo desenvolvidas para a ocupação dos espaços públicos em Belo Horizonte. A conversa contará com a participação de Joanna Ladeira, Léo Piló, Chico de Paula, Grazi Medrado, Gustavo Caetano e Paula Kimo. Em seguida, às 18h, serão exibidos os médias Roda de Conversa, de Chico de Paula, e O Som que Vem das Ruas, de Daniel Veloso e Eduardo Zunza.

Entre as pré-estreias nacionais do dia, às 20h no Cine Humberto Mauro, está o novo documentário do cultuado Wang Bing, Ta 'Ang, exibido com sucesso em vários festivais ao redor do mundo. No filme, os Ta'ang, minoria étnica birmanesa, se encontram entre uma guerra civil e a fronteira com a China. Desde o início de 2015, duras batalhas forçaram milhares de crianças, mulheres e idosos a se exilarem na China. Com sua câmera, Bing acompanha a rotina diária destes refugiados, forçados a deixar seus lares e que ainda têm a esperança de voltar em breve.

Também em pré-estreia, às 20h no MIS Cine Santa Tereza, a produção mineira (filmada em Cuba) Hierba Buena, de Fábio Carvalho. Na Mostra Curtas, duas sessões, ambas com quatro filmes no Cine 104, acontecem às 19h e depois às 20h30. Mais cedo, no Cine Humberto Mauro, continua a retrospectiva do português João César Monteiro, com o longa Vai e Vem (2003). Brasil CineMundi

A noite de segunda-feira, dia 24, na 10ª CineBH – Mostra Internacional de Cinema de Belo Horizonte foi marcada pelo encerramento do 7º Brasil CineMundi. A cerimônia de premiação, realizada no Cine Humberto Mauro, teve o anúncio dos projetos vencedores. Na categoria CineMundi, o júri foi formado por Arne Kohrweyer (Alemanha), Olga Lamontanara (Itália) e Emmanuelle Déprats (França).

A Sombra do Cão (SP), direção de Carla Saavedra Brychcy e produção de Priscila Portella, foi o grande vencedor da noite. “Nosso projeto cresceu muito aqui, a experiência foi maravilhosa”, exaltou Carla. “Com certeza agora temos mais força para conseguir seguir adiante na nossa proposta”. Foi a primeira participação da dupla num programa de coprodução. O projeto ganhou vaga para a produtora no Producer´s Network na próxima edição do Ventana Sur, no fim deste ano (29 de novembro a 3 de dezembro de 2016), e diversos incentivos de parceiros:

CIARIO - R$ 20 mil em serviços de iluminação, acessórios e maquinaria, de acordo com a tabela vigente no período de gravação.

CINECOLOR - R$15 mil em serviços de finalização

CTAv -  Empréstimo de câmera por 4 semanas Câmera 35mm / Câmera Digital SI-2 (de acordo com disponibilidade e condições a serem estabelecidas pelo CTAv)

DOTCINE - R$15 mil em serviços de finalização

MISTIKA - Encode de DCP para longa metragem até 120 minutos

PARATI FILMS - Tradução de roteiro de longa metragem para o francês

 O júri oficial ainda concedeu uma menção honrosa a Filme de Sereia (RJ), com direção de Indira Dominici e produção de Marina Meliande.

Outros projetos do Brasil CineMundi foram contemplados em outras categorias. Confira a seguir:

Cinélatino, Rencontres de Toulouse - FRANÇA
Vaga para um produtor selecionado para o Brasil CineMundi participar do Cinéma en Développement no 29º Cinelatino, que será realizado de 17 a 26 de março de 2017 em Toulouse. O produtor vencedor foi Henrique Zanoni, do projeto A mãe, de Cristiano Burlan.

 DocMontevideo - URUGUAI
Vaga para um produtor de um projeto da categoria Doc Brasil Meeting para acesso aos Meetings e ao Workshop DocMontevideo 2017que será realizado em julho de 2017. O produtor vencedor foi André Hallak, do projeto Arquivos de Lava, de Felipe Chimicatti e Pedro Carvalho.

TorinoFilmLab - ITÁLIA
Vaga para um produtor de projeto da categoria Brasil CineMundi participar no Meeting Event na próxima edição do TorinoFilmLab (22 a 25 de novembro de 2016). A produtora vencedora foi Ticiana Augusto Lima, do projeto Natan, de Luciana Vieira e Victor Costa Lopes.

 DISCUSSÕES SOBRE O CINEMA MINEIRO

Aguardado por todo o setor local, o “Encontro do Audiovisual Mineiro” aconteceu na tarde de segunda-feira e reuniu dezenas de produtores, diretores, técnicos, roteiristas e pesquisadores para discutirem os rumos das políticas públicas do governo de Minas para a área. Na mesa, o secretário de Cultura, Angelo Oswaldo, esclareceu diversos pontos e dúvidas levantados durante o debate, entre eles os objetivos do Prodam (Programa de Desenvolvimento do Audiovisual Mineiro).

“É preciso organizar o setor, incentivar o mercado, e é isso que o governo de Minas quer fazer com o Prodam, que é um programa, e não apenas uma ação de política pública de fomento”, destacou. “Estamos querendo ouvir, discutir, somar, para aprimorar uma estratégia que viabilize a produção”. Sobre o edital Filme em Minas – que teve sete edições até 2014 e desde então não foi mais realizado –, o secretário também se manifestou. “Muita gente pergunta: cadê o Filme em Minas? Ele está dentro do calendário, ele é bienal. Pegamos uma dívida da gestão anterior de R$ 4,3 milhões e pagamos em 2015. A previsão é que tenhamos uma nova edição do edital em 2017”.

Na mesa também estavam Fernanda Machado, diretora de economia criativa da Codemig, e João Paulo Cunha, presidente do BDMG Cultural. “A Codemig foca no desenvolvimento econômico do estado em várias plataformas. O audiovisual é apenas uma delas. O objetivo do governo é que o estado seja plural, não só na cultura, mas também na economia, e que não precise ser tão dependente da mineração e da agropecuária”, explicou Fernanda. “Entre os novos editais, acabamos de lançar o de Desenvolvimento de Roteiro, que tem como base as reivindicações do setor”. No caso do BDMG, João Paulo chamou atenção para as linhas de financiamento existentes no banco e voltadas para realizadores.

Kiko Ferreira, recém-nomeado Diretor de produção e programação da Rede Minas, disse estar se familiarizando com as demandas, mas pensa em desenvolver projetos que dialoguem diretamente com o espectador mineiro. “Qual a TV que a gente quer? Queremos fazer só jornalismo? Temos que pensar em uma TV interativa, de multiformatos. Como Darcy Ribeiro dizia: cultura sempre foi prioridade de discurso, mas nunca de recurso. Aprendemos a fazer com muito pouco, e o maior desafio é achar o nosso jeito de fazer audiovisual, que o nosso produto seja diferente do que é feito em Tóquio, por exemplo”, disse ele.

César Piva, responsável pelo MídiaParque, polo audiovisual da Zona da Mata, apresentou o funcionamento do programa e incentivou os realizadores presentes a buscarem novas formas de realização que se aproveitem da produção disponibilizada no interior de Minas. ‘Queremos ter de fato uma política de estado para a cultura e o audiovisual. No ponto de vista de fomento, tivemos avanço, o problema agora é a falta de infraestrutura. Não temos estúdio ou finalização de excelência e qualidade aqui”, apontou. Completava a mesa Bruno Hilário, integrante da diretoria do Prodam e coordenador do Cine Humberto Mauro.

Durante o encontro, a coordenadora da Mostra CineBH, Raquel Hallak, incentivou os presentes a formarem uma comissão que ajude a construir pontes entre as revidicações da classe e as políticas públicas. “Aqui foi apenas o primeiro passo para se discutir e chegar em algum lugar, o assunto não será encerrado hoje”, afirmou. “Temos uma política de estado para construir e precisamos contribuir com isso”.